Entrevista com Luciano Sturaro
Luciano Sturaro é o criador do website MSX
PRÓ, e
usuário de MSX de longa data. Contribui e muito com a
comunidade
MSX ao longo do tempo, com inúmeros projetos de hardware em
seu
portal. Luciano também é moderador das listas de
discussão MSXBR-L e MSXALL. O portal MSX PRÓ
contém muitas informações para MSX e
é
muito conhecido entre a comunidade MSX. Tivemos uma longa conversa com
o Luciano a respeito do MSX e seus assuntos relacionados. Confira aqui
a entrevista completa.
1. Luciano, como ocorreu e quando foi o seu
primeiro contato com a informática ?
Olá
Marcelo! Bem, meu primeiro
contato com a informática foi um pouco tardio, foi por volta
de
1991 (nota: sou péssimo para guardar datas), quando cursava
o
segundo ano do curso de técnico em eletrônica,
através de um amigo chamado João Leonardo. Ele
tinha um
Expert 2+ transformado pelo Carchano e um original. O primeiro software
que vi rodando foi o adventure Serra Pelada. Digamos que fiquei
fascinado pelo fato de "conversar" com o micro para jogar,
até
então a única coisa em matéria de game
que eu
conhecia era o Atari e o Odyssey.
2. O MSX foi o seu primeiro computador ?
Sim, meu primeiro
computador foi um MSX,
um HotBit 1.1 que nunca funcionou, foi um negócio bem
esquisito,
na época paguei se não me engano 50 mil cruzeiros
ou 50
cruzeiros (algo assim) em dinheiro e dei mais um televisor colorido
telefunken de 29" em troca. Lembro-me também que fiquei
enrolado
com este HotBit uns bons 3 meses e nada de o ex-dono dele dar um jeito
de fazer ele funcionar, pois ele não funcionou em casa,
tinha
algum defeito muito estranho, então acabei pegando um Expert
1.0
com o teclado bichado. Levei uns outros 2 meses pra conseguir comprar o
maldito 74LS145 do teclado.
3. Já usou outros computadores antigos
além do MSX ?
Bem, se
você considerar um
legitimo PC-XT, antigo, em 1992, sim. Já tive um trombolho
desses, daqueles com gabinete monstro, e HD's de 5 1/4 de polegada
full. Muito depois vim a ter um MC-1000, o qual tenho até
hoje.
4. Quando teve contato com o MSX ? Qual foi o seu
primeiro MSX ?
Como disse acima, o
primeiro contato com
o o MSX foi em 1991, mais ou menos em outubro. O meu MSX mesmo veio no
começo de 1992, o tal HotBit que nunca funcionou (devo ter
uns
pedaços dele aqui ainda). Era um HotBit 1.1
5. O que o faz preferir o MSX a outros
computadores antigos ?
Bem, como dizem por
ai foi paixão
a primeira vista (ou seria primeiro jogo??? :^), depois vendo como era
o MSX por dentro e conhecendo a um pouco de sua arquitetura e
flexibilidade e aliado facilidade em se construir hardware para ele,
deu no que deu. Some-se a isso também a grande culpa da
Konami e
seus jogos como o Nemesis.
6. O que o atraiu na área de
eletrônica ?
Ihhhh.... caramba!!!
Isso vem de
loooonnnnnngggggaaaaaa data! Desde moleque (uns 7 ou 8 anos) eu
já era meio vidrado em "pecinhas", "reloginhos" e coisa do
tipo,
e ainda por cima tinha um tio (já falecido) que era
técnico em TV e sempre me dava alguns componentes velhos pra
brincar e ainda mais que perto de casa tinha uma oficina de consertos
de TV, sempre estava no meio de equipamentos eletrônicos, ai
fui
pegando interesse na coisa, e acabou que virou profissão!
7. Como começou na área de
eletrônica ?
Meu
começo foi o que considero
"normal", com as revistas de eletrônica, como a saudosa
Eletrônica Junior da editora Saber e a estupenda Nova
Eletrônica. Sempre montava aqueles projetos das revistas,
tudo na
base do muito sacrifício, já que dinheiro...
só
economizando moedinhas, e coisas que nem sempre funcionavam. Depois fiz
aquele curso do Instituto Universal Brasileiro, o curso de
"Rádio técnico e TV preto e branco e a cores".
Dai
comecei com manutenção em TV's trabalhei com isso
até por volta de 1998, quando passei a me dedicar
inteiramente
ao ramo que estou hoje, manutenção de
transceptores de
radio.
8. Falando um pouco sobre MSX, qual dos modelos
é o seu preferido ?
Olha, pra se bem
sincero eu poderia
falar que e algum micro importado ou sei lá, mas
não
é, a menina dos meus olhos foi o meu primeiro MSX2+, a
famosa
placa MSX2+ Turbo FM da Ciel, o qual ocupou o lugar do velho e
já sofrido Expert 1.0 que havia comprado em 1992. Tenho este
MSX
até hoje, e até acabei mais tarde comprando outra
igualzinha, que tenho aqui na minha oficina.
9. E para você, qual software
é indispensável em seu MSX ?
Indispensável? Diria que todos,
mas se for pra escolher mesmo eu diria a dupla MSXDOS 2 e Multi-Mente,
em matéria de jogo, sempre que da vontade
não penso
duas vezes: Quarth, Eggland Mistery, Nemesis, Castle Excellent.
10. Comentando ainda sobre software no MSX, há
algum
utilitário que você sente falta pela
não
existência ? Na verdade, o que você gostaria de ver
sendo
realizado em termos de software para o MSX ?
Aqui eu poderia
literalmente viajar na
maionese, mas sinto falta de coisas simples como acabar com a
limitação besta do DOS2 de 8 drives
lógicos, e
quem sabe um dos cd-burn pro MSX, nem que seja pra gravar a 0,25x mas
isso é um sonho que talvez nunca se realize, visto a taxa de
transferência necessária pra manter o buffer do
gravador
cheio.
11. Você fez diversos projetos de hardware para o
MSX, qual foi o seu primeiro projeto para o MSX ?
O primeiro mesmo????
Não pode ser
o segundo nem o terceiro? Ta bem, vamos lá, foi um led de
caps
lock para o Expert, o qual já vi 'n'
variações por
ai, e nem é tanto assim algo revolucionário, mas
pra quem
ainda estava *verde* no mundo do MSX e eletrônica digital
(até então eu só mexia com
eletrônica
analógica), foi algo beeeemmm interessante de se fazer.
12. De todos os projetos que desenvolveu, qual foi o mais
desafiador, e por qual razão ?
Eita... foi um
gravador de eprom
universal que inclusive apresentei um protótipo beeemm
arcaico,
que só suportava leitura em Jaú 98. Nesta
época,
eu ainda não tinha acesso próprio a internet,
informações mesmo só o que tinha em
revista e
livros, e junte-se a isso que eu estava adaptando e fundindo dois
projetos e um para usar no MSX, que era o projeto hardware que saiu na
CPUMSX 22 e um gravador se não me engano pra TK82C que saiu
na
nova eletrônica. O protótipo esta aqui e
até
funciona(va), o esquema acabou indo pro limbo, e a idéia
esquecida.
13. O projeto de clone da FM é de sua autoria,
como foi desenvolver este projeto ?
Não foi
de minha autoria. Tem
inclusive uma história bem grande por trás disso.
A
sensação quando descobri o pulo do gato foi
indescritível, pois já havia 2 anos que a
história
estava enrolada. Depois disso levei quase um ano pra criar coragem e
tornar publica a adaptação, justamente temendo
reações negativas de quem já estava
vendendo
cartuchos FM com este chip e havia feito um certo "mistério"
sobre a adaptação. Um condensado dessa
história
pode ser lido lá na msxpro em http://www.msxpro.com/fm.html
14. Quanto tempo levou para desenvolvê-lo, quais
foram suas maiores dificuldades ao desenvolvê-lo ?
Pra por pra
funcionar, foram 2 anos,
é que eu batia um pouco em cima, desanimava e ficava uns 3
ou 4
meses sem mexer nele. Mas contando um pouco mais detalhado, em 2001,
uma pessoa chamada George apareceu na MSXBR-L dizendo que estava usando
o U3567 no lugar do YM2413 a uns 3 meses. Logicamente foi um
alvoroço total, eu mesmo fiquei em cima dele até
me
liberar a adaptação. Não foi
difícil depois
conseguir o tal U3567, ganhei um de presente de um amigo que trabalhava
com maquinas caça-níqueis. Logicamente, seguindo
a lei de
Murphy, não funcionou, o motivo só fui descobrir
dali um
ano, que era só retirar dois resistores da placa que
funcionava.
Havia um porém o U3567 é difícil de
achar, e o
UM3567 que acha facilmente não funcionava. Nem retirando os
dois
resistores ele não dava um pio se quer. Só em
2003, no
encontro de Jaú, o Mário Sapucaia estava com um
UM3567
por lá e por sorte, mas muita sorte, uma plaquinha de FM do
Ademir. Foi nela que eu matei a charada (talvez iluminado pela
essência do fudebismo de todos que estavam por
lá), que
bastava aterrar um pino que o chip funciona. Isso tudo depois de ter
visto um FM da Tecnobytes funcionando na MSX Rio 6 meses antes e
não poder ver como o UM3567 estava ligado lá e
funcionando. A grande dificuldade é que o chip é
praticamente "desconhecido" ou seja, não há
documentação sobre ele, a única coisa
que eu tinha
era, o esquema do George, ter visto um FM da Tecnobytes usando ele, e
uma figura que fui achar no site de um Chinês, que ele usava
como
plano de fundo da página dele(!!) que tinha um esquema
usando o
U3567. Já do UM, nada se achava. Foi na base da tentativa e
erro
mesmo pra fazer ele funcionar.
15. Você ainda faz os clones da FM ? Aceita
encomendas deste equipamento ?
A única
coisa que eu fiz, foi uma
plaquinha adaptadora, a a qual você coloca o UM3567 no lugar
do
YM2413, nunca cheguei a fazer cartuchos FM. A plaquinha adaptadora eu
ainda tenho o layout dela e posso fazer mais sem problema algum caso
alguém necessite.
16. Para quem não sabe, como você faz
para
desenvolver um novo projeto de hardware, as placas são
projetadas diretamente em algum software usando o MSX ?
Se você se
refere ao desenho das
placas, trilhas, etc, não! Faço tudo no PC, por
questão de facilidade e produtividade. Nisso não
há como negar que é melhor trabalhar em um PC, e
me soa
muito bem a velha história de "escravizar o PC em prol do
MSX".
17. Qual você recomenda ?
Para o PC, o bom e
velho Tango-DOS, o
pessoal tem uma certa "aversão" a ele, mas me dou muito bem
com
ele, e a grande vantagem é que é levinho e roda
até em 386, ou seja pra quem quer desenvolver alguma coisa,
até um PC velho que ninguém dá nada,
serve.
18. Como é feita a
confecção de uma placa de protótipo ?
As placas
protótipo MESMO
geralmente são placas de cartucho reaproveitadas ou outras
placas ISA velhas de PC, aproveitando-se somente a fibra como suporte e
o conector de slot, corto todas as trilhas, colo os chips e componentes
com super-bonder na placa e ligo tudo com fios do tipo wire-up
soldados. Fica uma coisa horrível! Mas é
funcional e
até que rápido pra montar, pois você
pega direto do
esquemático e já monta na placa, pulando o
processo de
roteamento e confecção da placa.
Também da pra
fazer usando tecnica de transferência de impressão
a
toner, a quente, funciona muito bem.
19. E os testes como são feitos ou basta conectar
no MSX e testar ?
Sim, faço
os testes no MSX, em um
Expert 1.0 veterano que mantenho só pra esses testes.
Já
fritei ele umas duas vezes só, mas como é um 1.0,
ele
é todo soquetado, ai pra consertar é coisa de
minutos e
volta-se a carga :o)
20. Várias vezes, nos encontros de MSX, ou
até
mesmo por fotos em seu portal, pode-se ver vários MSX Expert
mesmo, prá lá de incrementados. Um dos casos
é
vermos MSX Expert com Interfaces de Drive *dentro* do computador. Para
um leigo, como é feito este processo ?
Não tem
mistério,
só trabalho e um pouco de habilidade manual. Serra,
furadeira,
lima, fazem milagres. Ai basta ter um lugar com espaço pra
desmontar tudo e fazer a sujeira (e limpar depois). Algumas ferramentas
para alguns detalhes pequenos eu mesmo faço, modificando
ferramentas para fazer o que eu quero. No mais é mentalizar
o
que você quer, marcar o gabinete com lápis ou giz,
medir
tudo umas duas vezes, se possível testar os tamanhos
comparando
as peças e partir pro trabalho duro.
21. E depois deste processo feito, é
possível
continuar usando o slot do micro, por exemplo, encaixar um cartucho no
slot ?
Bem, eu cheguei a
adaptar uma interface
de drive interna em um Expert 1.0 meu, logicamente o slot externo foi
pro espaço, já que não havia expansor
de slots,
porem se você montar um bem simples, pode re-ligar este
conector
em um slot expandido e utilizar normalmente.
22. Para quem quer umas dicas para começar a
trabalhar
com hardware, você indicaria alguma literatura ?
Pra quem
começar eu digo duas
coisa: Primeiro ter cara e coragem, a segunda é
não
desanimar na primeira fumacinha. Pra hardware relacionado ao MSX,
não tem muita coisa, o negocio é pegar projetos
que
saíram em revista, montar e estudar como funciona. Estudar o
esquema do Expert e ver como o MSX funciona, também
é uma
boa, pois você vai precisar saber como o micro funciona, para
poder pensar em como ele "conversa" com o seu hardware. A melhor
leitura que eu já tive pra eletrônica digital foi
o
databook da série 74LSxx :o) Sabendo como funcionam as
portas
lógicas, já é 50% do caminho andado. O
23. No recente evento de Jaú em 2005,
você mostrou
um novo projeto seu que permite conectar um cartão no
formato
MMC a uma placa em forma de cartucho e este é ligado ao MSX
tendo a função de um drive. Pode nos contar mais
a
respeito sobre este acessório ?
O projeto
não é meu, ele
esta no forum do msx.org e quem fez foi o Seo Youngman. A parte que
já montei é somente o SCC-Flash, mas tem algum
problemas
acontecendo, talvez por algum ci defeituoso, já que eles por
serem SMD foram aproveitados de sucatas. A idéia
é
inicialmente fazer ele funcionar como é e depois o Adriano
Cunha
já sem prontificou em ajudar na parte de software, para
eliminarmos algumas limitações bobinhas como o
fato de
só funcionar em slot expandido, entre outras coisinhas.
24. O que é preciso em termos de equipamento para
que
alguém possa utilizar este periférico ? Um MSX1
normal
já basta ?
Pelo fato dele usar
o DOS 2, e DOS 2
requerer mapper MSX1 "normal" esta descartado. Já se colocar
Mapper no MSX1, como já foi feito pelo Carchano,
não vejo
motivos pra não funcionar.
25. Você pretende estender o suporte a
cartões SD, Memory Stick e outros formatos ?
Memory Stick
não, mas SD talvez possa ser possível.
26. Tem idéia de quando este projeto
estará disponível ?
Tudo depende do
tempo vago e que posso dedicar ao MSX, que é um de meus
hobby.
27. Você pretende vendê-lo futuramente
por encomendas fechadas ?
Creio que
não, como disse, eu
tenho o MSX como hobby, e já tenho que produzir os
equipamentos
para radio, que fabrico. E isso tudo sozinho. Pelo meu site, podem
notar que eu sou mais adepto do "faça você mesmo"
ou seja
dar toda a informação necessária para
que cada um
que quiser possa fazer em casa a reprodução do
projeto.
28. Há planos de desenvolvimento de um projeto de
Mega-Mapper em cartucho com 4mb ?
Sim e
não. Projeto já
até tem alguns por ai. O que eu percebo que o pessoal quer,
é ou a placa montada, ou pelo menos um kit com tudo pronto.
O
que sempre complica em um projeto é a placa de circuito
impresso, esse é um fator que limita de muitos montarem
alguma
coisa pro conta propria. E como nem todos tem paciência de
fazer
as "amontoagens" com wire-up... Mas como disse, sim e não ao
mesmo tempo. O Groke, e eu estávamos pra montar um
protótipo de um esquema que foi encontrado no site do Hans
Otten
se não me engano, justamente o que embolou foi fazer a
placa.
Parece que agora vai sair algumas, pois o Maluf conseguiu
alguém
para fazer as placas, e logo teremos alguns protótipos
montados
pelos cotistas que vão financiar a
confecção das
placas.
29. Até onde o MSX suporta com
relação a
quantidade endereçável de memória, o
limite
é mesmo 4Mb, se sim, por qual razão ?
Esse limite de 4Mb
é por Slot ok?
Basta fazer as contas: o Z80 só endereça 64Kb de
memória, divididos em 4 páginas de 16Kb. As
paginas da
mapper também são de 16Kb. O registrador de
controle da
mapper só pode endereçar até 256
posições (de 0 a 255), ou seja um registro de 8
bits,
logo a quantidade máxima de paginas de 16Kb são
256
páginas, então 16 x 256 = 4096
30. Além deste projeto há mais algum
que esteja em desenvolvimento ? Pode nos contar a respeito ?
Projeto do zero
mesmo, nenhum, o que
tenho engatilhado é construir uma interface serial
rápida, a Harukaze, que por incrível que parece
é
simples de construir, mas não vi nenhuma "feita em casa" por
estas bandas.
31. E há algum projeto que mesmo não
estando nos
planos atuais, você pretende no futuro pensar em realizar ?
Eheheh.. esse eu
já andei
ventilando lá em Jaú (2005), o de adaptar uma
tela LCD
dessas usadas em DVD's de carro, mas para usar RGB e não
vídeo composto ou s-vhs como elas usam. O que falta
é $$$
pra comprar uma tela que tenha um tamanho usável, tempo
também, como sempre.
32. Conversando um pouco a respeito das iniciativas
internacionais do desenvolvimento de um novo MSX. Acredita no projeto
da ASCII ?
Sinceramente? Do
jeito que a ASCII
propôs eu acho que vai naufragar, visto que não
atingiram
a cota mínima que eles queria para a
fabricação.
MSX1 por MSX1 eu fico com o que já tenho.
33. Quais os motivos por pensar assim ?
Primeiro que quando
todo mundo queria
*no mínimo* um MSX2, ASCII vem com um MSX1 "frankstain". O
PLD
usado pelo visto já esta meio apertado no número
de
gates. O "upgrade" para MSX2 seria a parte, e o kit
não
viria com o cabo para você regravar o PLD, que
também
teria que comprar, sabe-se lá a que preço. Ser
voltado
para o mercado Japonês, e principalmente o preço.
34. E o que você quer ver no novo MSX ?
Pensar em MSX
turbinado concorrendo com
PC eu acho loucura. Queira um MSX 2+ um pouco mais rápido,
digamos umas 10x mais rápido, suportando dispositivos USB
(teclado, mouse, pendrive, etc) e HD Serial ATA. De quebra poder usar
um monitor SVGA. Visto que tralha USB você compra
até no
supermercado, HD ATA paralelo vai sumir já já,
disquetes
estão uma droga (pendrive, pendrive!!). Ethernet...
35. Sendo mais direto, o que vai fazer você
comprar o novo MSX ?
Sendo mais direto
ainda na resposta: Meu bolso ou minha conta bancária :PP
36. E o que você não quer no novo MSX ?
O frank, que a ASCII
quer fazer, ou pior
ainda que vire treco que você pluga no PC, lê o seu
cartucho de jogo e joga num emulador nojento, tal como o MSX Card
Reader.
37. Vamos supor que a ASCII ou outra companhia
faça o
novo MSX do jeito que os usuários da comunidade realmente
esperam como ele seja. Se for feito no Japão, você
compraria um MSX SÓ e SOMENTE com manuais na
língua
japonesa ou você acha que para que dê realmente
certo,
já que estamos em um mundo globalizado, que este equipamento
e
documentação venham obrigatoriamente
também com a
língua inglesa ?
Complicado essa
resposta. Veja pelo
MSXPró que eu sou digamos bem "bairrista", só
escrevo em
português, no passado eu até tentei manter uma
versão em inglês da pagina, mas gastar duas vezes
o tempo
pra fazer quase que a mesma coisa me desanimou, somado que o meu
"ingrêis" é pior do que o do Babel Fish,
faço
só em português. Porem levando-se em conta que se
a ASCII
quiser vender o seu peixe fora do Japão, *no
mínimo* os
manuais deveriam ter uma versão em inglês, nem que
fosse
somente em formato eletrônico. Os manuais do meu Turbo-R pra
se
ter uma idéia estão novos, sem orelhas, nada. Em
compensação o manual do expert.... O manual do
T-R no meu
caso só serve pra enfeitar estante e as vezes dar uma olhada
nas
figuras.
Quanto a comprar, se
o micro fosse do
jeitinho que a comunidade espera, nem que o manual estivesse escrito em
Klingon e o preço for compatível com o estilo de
vida
ocidental, compraria sem pensar duas vezes.
38. E sobre as iniciativas aqui no Brasil, nós
temos o
DalPoz e o Ademir Carchano. O que você pensa a respeito ?
Penso que em breve
teremos algo nosso,
do jeito que pensamos e queremos. O Ademir já fez muita
coisa e
eu já vi o micro MSX1 lcd dele funcionando na minha
mão.
O Ademir tem toda a capacidade para desenvolver um msx em um chip,
porem o Ademir sofre do mesmo problema que todo projetista aqui da
terrinha: Falta de grana pra investir. O DalPoz eu também vi
seu
projeto funcionando. O DalPoz também tem toda a capacidade
para
desenvolver o msx em um chip, só que também
esbarra no
mesmo problema, o $$$. Porem como o projeto do DalPoz tem digamos "uma
segunda intenção" eu acredito que logo logo vem
algo por
ai.
39. E a propósito, como você trabalha
também
com hardware, há um intercâmbio de
informações/soluções entre
vocês ?
Sim, um de meus
gurus e "oráculo"
é o próprio Ademir, as vezes gasto diversos
minutos com
ele no telefone falando de tudo um pouco, e outros dois que sempre
troco figurinhas e o Guilherme Groke e o Alexandre Souza "Tabajara".
Pra você ter idéia a
decodificação das PAL's
do Kit DDX 2.0 foi um trabalho conjunto do Alexandre, Guilherme e meu.
40. E o Turbo R, o que há de bom nele para
você ?
Do seu ponto de vista há muitas melhorias ou
evoluções em relação ao
MSX2+ ?
O que eu gosto no
Turbo-R é o
fato dele ser mais transportável que um Expert, e a nova
velocidade proporcionada pelo R800. De resto pra mim ele é
um
MSX2+. O que todo mudo esperava era o novo VDP, mas a Panasonic colocou
o velho V9958 nele. E olhando o projeto do Turbo-R, percebe-se que ele
foi um micro que foi pensado de um jeito e montado de outro, e as
pressas, já que tem muitas coisas que foram simplesmente
desligadas nele.
41. E comentando um pouco ainda sobre as
evoluções
do MSX, qual você acreditou que tenha sido a mais
significativa e
porquê ?
Pra mim foi o salto
do MSX1 para o MSX2,
pelas resoluções gráficas, e o uso do
HD no MSX,
pra sumir com aquela montoeira de disquetes que ficavam entulhando a
mesa.
42. Onde você acha que erraram com o MSX para ele
ter acabado comercialmente ?
É um
pouco difícil pra mim
falar desta época, pois eu conheci o MSX no finalzinho de
seu
fôlego comercial. Sendo superficial, foi a
evolução
do MSX que estagnou e a popularização dos IBM-PC.
43. Aqui no Brasil, a Gradiente errou desde o
começo ou
só quando relançou o MSX1 por volta de 1988 ?
No meu ver, o maior
erro da gradiente
foi lançar o Expert Plus quando todo mundo queria MSX 2 e o
pior
de tudo, eles *TINHAM* o V9938 que usavam nos cartões de 80
colunas, para um MSX 2, faltava só o relógio.
44. E a Epcom, o que você pensa a respeito do
Hotbit em
relação ao Expert (dois modelos brasileiros de
computadores fabricados respectivamente por Sharp e Gradiente) ?
O HotBit digamos que
eu tive uma certa
raiva dele, porque como disse meu primeiro MSX foi um HotBit branco que
nunca funcionou. E o Expert por ser montado neste gabinetão
de
lata, favorece em muuuuiiiittooo as "gambiarras", por isso que eu acho
que o Expert e o preferido ente 9 dos 10 futucadores de hardware aqui
no Brasil, bem... isso se tivermos 10 futucadores eheheh.
45. Sobre o modelo preto do Hotbit, não poderia
ter vindo
algo melhor ? Você sabe algo porquê a Sharp
não
lançou um MSX2 ou superior ?
A Sharp e Epcom
sempre foi algo meio
obscuro pra mim. Pelo que sei a Sharp também tinha o V9938 e
poderia ter feito o MSX2, não fez por motivos que talvez
nunca
saibamos. Já o HotBit preto a unica coisa que eu vi de
melhor
nele é o fato de ser preto, sempre gostei de micros pretos.
46. E sobre a Gradiente, sabe algo a respeito ?
Sei o que todo mundo
sabe :o)
47. Na época de ouro do MSX, muito software e
hardware
foi copiado e pirateado por várias empresas. Como
você vivenciou isso ?
Eu peguei a poeira
do que foi a era de
outro do MSX, logo o que tinha a disposição era
muito
pouca coisa original em matéria de software, logo
só
restava comprar os "alternativos" e hardware, a DDX já tinha
ido
pro brejo, e o pouco que tinha ou era DMX, ou o Ademir, ou usado. Minha
opinião sobre a pirataria é algo tanto polemica.
Ruim com
ela, pior sem. E sempre digo, atire o primeiro disquete quem nunca
pirateou alguma coisa. E é algo que lembra a
história da
bolacha que vende mais por que é fresquinha ou é
fresquinha por que vende mais? Ai eu pergunto, pirateia-se por que?
Porque o original é caro. E porque o original é
caro? Em
parte porque pirateia-se e não se obtém o retorno
esperado. Deu pra entender mais ou menos a minha
posição
sobre ela?
48. O que você pensava a respeito da empresa DDX ?
Da DDX as
únicas coisas que tive,
foi interface de drive e uma megaram, mas não foi comprado
diretamente deles, pois quando entrei par ao MSX eles nem trabalhavam
mais pelo que me lembro.Quanto a filosofia da DDX, de copiar algumas
coisas, só posso dizer que é um tanto lamentavel.
Sobre a
qualidade do hardware que eles fabricavam, bem... as placas eram bem
ruins, alguém ai já tentou dessoldar algum chip
de uma
interface de drive da DDX ou mesmo uma megaram? Se sim vai saber do que
eu estou falando :P
49. E a respeito da ACVS ?
Com a ACVS eu tenho
uma história
bastante interessante, não lembro o ano exato, mas o que
interessa é a história, lembro-me de ter ligado
para a
ACVS quando ficava a Av. Paulista e cotado com o Ademir, a
transformação do meu Expert para 2+. Passado uns
3 ou 4
meses voltei a ligar para ele, para acertar o envio do MSX pra ele
transformar, qual a supresa (ou decepção) em os
telefones
não funcionam mais. O sonho do MSX 2+ ficou adiado por
alguns
anos, no final foi bom pois acabei comprando anos mais tarde a placa
que uso até hoje. Sobre a qualidade dos produtos da ACVS,
acho
que muita placa de PC, fabricada por grandes empresas não
tem o
mesmo capricho que o Ademir tem. Acho simplesmente maravilhoso!
50. Você chegou a ir no MISC, Paulisoft ou outra
softwarehouse a época ? O que pensava a respeito das
práticas de venda de software por parte destas empresas ?
Não
porque na época
já não tinha muita coisa, e tinha
também o
problema da distancia, pois aqui aonde eu estou, são quase 3
horas de viagem para São Paulo, então
não dava.
Sobre a prática, bem... quando distribuíam
software de
algum autor nacional, legalmente achava muito bom. Já
software
pirateado, principalmente de fora do Brasil, meio sacanagem, mas se
não fosse daquele jeito como teríamos aqueles
programas?
Importar diretamente, poucos tinham condições.
51. E com relação a venda de hardware ?
Quanto a este ponto
não tenho
como dizer muito, quase tudo o que comprei na época era
usado e
de outros usuários que estavam abandonando o MSX.
52. E com relação as
publicações da época, o que achava da
revista MSX Micro ?
Não
peguei a MSX Micro na
época que era vendida nas bancas, só vim a
conhecer a
revista através de coleções
de amigos. Acho
a revista legal, só que puxava uma sardinha lascada pra
gradiente (óbvio, a gradiente é quem bancava a
revista
né?), mas gosto do conteúdo dela, tanto que tenho
a
coleção completa.
53. E a CPU ?
A CPU foi uma das
duas únicas
revistas de MSX que eu comprei normalmente na banca (a outra foi a MSX
Top Class, que só teve 3 edições). A
revista
também era muito boa, mas a única coisa que me
incomodava
nela era o tal do caderno amiga. Mas teve bastante coisa que saiu
publicada lá que eu aproveitei. Tanto que também
estou
lutando pra conseguir a coleção completa, a minha
só falta se não me engano o volume 1 e 2, o resto
já tenho tudo.
54. Você teve algum artigo publicado na CPU ?
Artigo
infelizmente não deu
tempo, a única coisa minha que tem alguma
relação
com a CPU, foi uma carta que enviei, e que foi respondida pelo
Júlio Marchi, já na Informática CPU
(que no fundo
era a própria CPU), essa revista tem um fato marcante pra
mim.
Um, por ter sido digamos que a minha aparição no
mundo
MSX, e porque através desta carta, que foi publicada com meu
endereço, conheci diversas pessoas, em especial uma que
tenho um
grande carinho, Paulo Sérgio Barbara lá de Franca
- SP,
que sumiu e faz muito tempo que não tenho contato com ele.
Digamos que ele foi o culpado por me puxar a tona no MSX, já
que
logo apos que a Informática CPU também parou de
ser
editada, eu fique literalmente ilhado, e o MSX quase que acabou
encostado. Conversei muito com ele por cartas, e foi através
dele que conheci o Werner e Weber Kay, o Chimba lá de
Jaú, Wilson de Blumenau, entre outros que não me
lembro
agora, e foi através desse pessoal que tomei conhecimento
que o
MSX anda vivia e respirava muito bem, na internet. E por fim foi
através deles que fui ao primeiro encontro de
Jaú, isso
em 1998. Dai pra frente não larguei mais o MSX mesmo.
55. Com relação aos livros, nos parece
que aquela
época tínhamos livros muito didáticos,
principalmente no que se diz respeito a livros da Editora Aleph. O que
você pensa a respeito ?
Os livros do MSX,
só fui
conseguir comprar muito mais tarde, já nos sebos. Tenho uma
boa
coleção já. Sobre os livros da Aleph,
sempre que
leio algum deles (ou re-re-re-leio) sempre tenho a impressão
(que se tornou certeza em Jaú 2000) que eles eram escritos
com
muito amor e dedicação ao MSX, por pessoas que
realmente
gostavam do que estavam fazendo. O que sempre gostei no livros da Aleph
foram as explicações com
ilustrações, pois
da um ar mais descontraído e não te passa aquela
impressão carrancuda, de quando você de depara com
algo
meio confuso de assimilar em um livro.
56. Em seu portal na Internet, há bastante
material
publicado que sem sombra de dúvida ajuda em muito a
comunidade,
parabéns por esta iniciativa. O que você tem a
dizer sobre
as cópias e também por vendas não
autorizadas
deste material que você disponibiliza gratuitamente na
Internet ?
Olha, este
é um assunto que evito
tocar em publico, pois sempre gera muito atrito. Eu apenas digo que o
trabalho que esta lá no site é pra ser
disponibilizado
sem custo a quem vai utilizar a informação. Acho
que no
mínimo, quem quer colocar algum conteúdo do que
esta
lá em algum CD, DVD ou o que quer que seja, era avisar:
"Olha,
eu vou pegar o seu material e vender em um CD". Certamente eu
não me ira me opor, mas como quem faz isso não
dá
a mínima satisfação, eu fico um pouco
chateado,
mas nem por isso eu vou parar de fazer o que gosto, que é
manter
aquele site vivo e sempre com novidades. E aguardem muito ainda ha por
vir.
57. Em algum momento, pós era comercial do MSX,
você chegou a se afastar da linha MSX ? Algum motivo em
particular ?
Como disse
lá atras, o momento em
que cheguei a me afastar ou ilhar da linha, foi com o final
publicação das revista, pois eu não
tinha contato
com mais ninguém, e aqui na cidade eu conhecia apenas mais
duas
pessoas que tinham MSX, mas estavam mais desanimados do que eu. O meu
porto de salvação foi justamente aquela carta que
mandei
pra revista, e meu endereço foi publicado.
Através de
lá me acharam e trouxeram de volta.
58. E o seu portal, quando você teve a
idéia de criá-lo ?
Chamar a
MSXPró de portal eu acho
muita coisa, ehehe, site já esta bom :P A MSXPró
nasceu
em 5 de janeiro de 1999, foi simplesmente uma idéia na
cabeça e muita força de vontade, já
que naquela
época não se tinham muitas paginas de MSX em
português. No inicio o site não era voltado quase
que
exclusivamente ao hardware, era um misto de tudo, tinha até
uma
sessão de humor! Ai com o passar do tempo e o meu maior
envolvimento com o hardware, deu no que se pode ver hoje por
lá.
59. Como começou o seu portal ?
Bem simples,
já que eu não
sabia lhufas de HTML, devo ter um protótipo do site perdido
em
algum CD aqui, se achar e estiver inteiro ainda eu acabo colocando no
ar de novo para o pessoal que não pegou aquela
época ver.
Tinha apenas as sessões download, humor, links e mais alguma
coisa que não me lembro e só. Como eu
não gosto
muito de mistureba e já estava "cheirando estanho" no MSX, o
site acabou tomando este rumo.
60. Você é moderador da lista de
discussão
MSXBR-L e também da lista MSXALL. Há quanto tempo
você exerce esta função e como
é o trabalho
de ser moderador ?
Na MSXBR-L a dois
anos, na MSXALL menos
de um ano. O trabalho de moderação é
algo que
você tem que despender alguns minutos por dia pra verificar
as
tarefas pendentes, como liberar mensagens retidas, responder a
dúvidas e também acalmar os animos. E mais, eu
sempre
digo que nesta hora (do moderador) que esta no comando não
é mais o Luciano que todos conheçem das listas,
do site e
dos bate-papos no ICQ. É outra pessoa. que olha os dois
lados,
analisa e toma a decisão que parece ser mais
lógica e
justa para a maioria. E como em todas as listas os moderadores tem que
tem um senso em comum, logo todas as decisões mais
importantes,
são votadas por todos os moderadores e a vitoriosa, acatada.
61. Como você lida com discussões /
flamewars na lista ?
Tento lidar da forma
mais natural
possível, sempre tratando a pessoa em PVT (privado) e
não
irritando-a mais ainda, e como sempre com a melhor
educação possível. Sempre procuro
expor o porque
ela não deve fazer aquilo na lista, relaxar e pensar umas 10
vezes antes de apertar o botão enviar. E claro citar que a
lista
é uma extensão da casa dela e deve ter na lista a
mesma
educação que usa em casa. Agora se ela
não costuma
usar os bons modos nem mesmo em casa, que porte-se como se estivesse
dentro de um mosteiro.
62. Não há momentos que dá
vontade de sair chutando o pau da barraca e deixa a vida de moderador ?
Sinceramente, sim,
mas isso passa. Tanto
que depois que você começa este trabalho, quer
continuar
(seria masoquismo???) e afinal, alguém que que faze-lo.
63. Vamos falar um pouco sobre a existência ou
não da panela na MSXBR-L. Tem panela na MSXBR-L ?
Eheheh, esse assunto
já esta
virando tabú. Primeiro alguém precisaria me
definir nos
mínimos detalhes o que é uma "panela". O que eu
vejo em
*qualquer* lista de discussão é que grupos acabam
se
formando, geralmente do que mais participam do movimento da lista.
Estas pessoas acabam criando laços de amizade fora da lista,
ai
quando chega alguém novo vê aquele papo bem
familiar, e
acaba se sentido deslocado. Eu sempre digo, não tem panela.
Se
você acha que tem panela, tira a tampa e pula dentro dela,
será muito bem vindo.
64. E na MSXALL ?
Como já
disse, é natural
que se formem grupos de afinidade, e isso definitivamente
não
é panela.
65. E nas outras listas ?
Idem as respostas
acima.
66. E estas desavenças, levam há algum
lugar ?
Só a
inimizade, e acaba por
espantar os recém chegados, que esperavam encontrar um
ambiente
familiar e vêem a balburdia. E acaba esfriando os
ânimos
que quem realmente esta a fim de fazer alguma coisa séria em
prol do MSX.
67. E falando ainda sobre listas de discussão, o
que
você pensa no que diz respeito a existência de
diversas
listas de discussão sobre MSX ?
Se as listas
tivessem assuntos
específicos e diferenciados eu até acharia
valido, mas
pode-se ver que todos acabam estando em todas as listas e falando dos
mesmos assuntos em todas elas. Eu sou a favor de uma lista
única, mas o ser humano tem o grande problema de
não
querer se adaptar a uma regra e sim adaptar a regra a si. Dai...
alguém resolve criar uma lista, só porque
não
concorda que na outra lista você fale de emulador, por
exemplo,
ai na outra lista não pode, mas acaba-se falando dele do
mesmo
jeito e as listas acabam iguais. Eu aprendi um um grande amigo em outra
lista (não é de MSX) que foco (lista com assunto
especifico) é coisa de lanterna. A propria lista quem que se
regular, saber do que falar e dosar a quantidade de assunto OFF.
Assuntos não pertinentes acabam por morrer sozinhos, desde
que
não se fique pondo lenha na fogueira.
68. Comentando sobre novas iniciativas. Ultimamente, temos
observado uma constante e contínua linha crescente no
desenvolvimento de software para MSX, seja por parte de nossa
comunidade brasileira, latina, européia ou japonesa. No
Brasil
acabamos de ver em Jaú/2005 o Knightmare Gold do Daniel
Caetano.
Anualmente vemos o concurso MSXDEV promovido pelo portal MSX.ORG que
também sempre traz novos softwares. O que você
pensa a
respeito destas iniciativas ?
Toda iniciativa que
coloca o MSX em
evidencia ou que coloca os usuários para trabalhar, fazendo
algo
de bom para o padrão eu acho extremamente válida
e dou
meu total apoio. Se olhar por exemplo as edições
anteriores do MSXDEV, e comparar, nota-se uma melhoria cada vez maior
na qualidade e na criatividade dos jogos, e também o aumento
dos
participantes. Isso é muito legal, ver gente produzindo
coisas
novas para o MSX e o principal, porque gostam! Eu só
não
participo porque sou um péssimo programador, não
tenho
tanta afinidade com os bits no MSX, deixo essa tarefa pra quem entende.
69. E como aqui no Brasil você vê que
poderíamos melhorar em algo ?
Eu acho que
já seria um bom
começo os que criticam o trabalho já feito,
arregaçar as mangas e melhorar o que já esta
feito, se
não concorda, em vezes de subir em uma gilete e fazer
discurso
expondo sua opinião, arregace as mangas e faça
melhor.
Não destrua o que alguém gastou horas, dias,
meses de sua
vida, só pra descer o malho e ficar sem fazer nada. Falar
é muito facil, quero ver é fazer. Outra coisa
seria o
respeito entre as pessoas, sem brigas, sem
provocações, e
respeitar as vontades de cada um.
70. E a ASCII, você não acha que a
visão
dela está sendo muito limitada e até
desrespeitando os
usuários ao de certa forma ignorá-los ?
Bem... a ASCII cada
vez me surpreende
mais. Os usuários literalmente carregaram o sistema nas
costas,
sozinhos por 10 anos, fizeram novos programas, hardware, melhoria,
criaram especificações sobre o que foi criado,
tudo
tentando seguir um padrão. Ai a ASCII chega e fala que os
direitos da marca ainda é dela, tudo bem, que vai fazer algo
novo, pra reviver o padrão, tudo bem, mas das as costas aos
que
levaram (os usuários) o sistema nas costas por todo esse
tempo e
sem ajuda de nenhuma, ai já é querer demais
não?
Por isso eu tenho certeza que muitos usuários torcem o nariz
ao
ouvir falar atualmente da ASCII e da MSX Association.
71. Por exemplo, a idéia de trazer de volta a MSX
Magazine foi fantástica, mas, tudo na língua
japonesa
(??!?). Não é o mesmo caso de trazer algo do
Japão
a peso de ouro (devido ao frete também) e nem poder ler a
revista ?
Não
entendi bem a a pergunta. Bem
a minha opinião sobre a MSX Magazine é simples,
se ela
foi relançada visando foco somente no mercado
japonês,
nada mais justo que ela seja editada na língua materna do
pais.
Mas se a idéia foi atingir todos os usuários do
padrão certamente a escolha foi um grande erro. Eu
sinceramente
nunca vou comprar uma MSX Magazine, justamente porque não
vou
poder fazer mais nada alem de olhar as figuras, já que
não leio absolutamente nada em japonês. Agora
já a
Hnostar, tenho várias edições,
justamente porque
ela foi editada em espanhol e com algum esforço da pra ler e
entender.
72. Falta uma publicação nacional ?
Sem
dúvida faz falta uma
publicação impressa, de
circulação
nacional, mas ai fica a pergunta, quem iria se aventura em editar uma
revista que eu chuto (pra chutar beeemmma alto) que umas 150 pessoas
comprariam? Ninguém é claro. Ai o que supre essa
lacuna
são os Fazines, como é o caso do MSX Force e
revistas em
formato digital.
73. Há como existir uma
publicação nacional
voltada para os membros da comunidade, ou seja há material
para
existir uma publicação nacional ?
Material eu acredito
que até
tenha, o problema é quem vai se dispor a preparar este
material.
Veja o caso do Fanzine MSX Force, que apensar do grande intervalo entre
as edições (sai uma no encontro do Rio e outra no
encontro de Jáu) sempre tem um conteúdo legal.
74. Em termos de nova documentação
nós
temos aqui no Brasil o livro MSX TOP Secret do Edison A. Pires de
Moraes, foi uma iniciativa própria dele, mas foi um livro
inteiro sobre MSX. Não acha que pode vir mais por
aí,
afinal de contas já está mais do que certo que
são
os usuários que tornam a máquina atrativa, o que
pensa ?
Bem eu sei que
escrever um livro, ainda
mais como o Edison fez não é tarefa
fácil, exige
muita pesquisa, muito tempo, e muita dedicação. O
Edison
já escreveu duas edições do MSX TOP
Secret, eu
acredito que ainda possa vir não diria um novo MSX TOP
Secret,
mas sim um complemento. Que são os usuários que
tornam a
máquina ativa não tenha dúvidas,
afinal se os
usuários abandonarem, pra que escrever livro? pra que fazer
programas novos? Pra que fazer hardware novo? Então enquanto
houverem os usuário, tenha certeza que sempre vai sair
novidades.
75. Comentando um pouco sobre os encontros de MSX que
ocorrem
periodicamente. O que você diria para alguém
usuário de MSX (ou que não seja), que nunca foi a
um
encontro de MSX ?
Uma única
coisa: Junte dinheiro,
reserve no mínimo dois dias, e isso é
possível
visto que as datas são marcadas com bastante
antecedência,
e VÁ AO ENCONTRO. Ao chegar lá não
tenha medo,
ninguém morde. Pare as pessoas, apresente-se, pergunte quem
é quem, converse bastante, você verá
que são
todos pessoas normais (?!?!) e estão todos reunidos ali
porque
tem uma idéia em comum. E mais não vá
a um
encontro só. A cada novo encontro que se vai você
conhece
mais pessoas e fica mais enturmado. Ou você acham que eu
já cheguei no primeiro encontro de Jaú em 1998 e
já fui chamando tudo mundo de fudeba, dando risada? Fique
até que quietinho no meu canto, encabulado. Pergunta pro
pessoal
como eu me comporto nos encontros hoje?
76. Como é estar em um encontro de MSX ?
Pra mim,
é estar rodeado de
amigos, como se estivesse na sala da minha casa. Ou seja rodeado de
pessoas que gosto e que sei que tenho alguma liberdade.
77. O que pode se ver no encontro de MSX ?
De tudo um pouco, os
amigos, suas
maluquices, as maluquices criadas por esses malucos, pessoa novas,
pessoas que nunca viram o MSX e ficam babando em ver aquele micrinho
velho fazem miséria. E principalmente MUITA FUDEBAGEM :o)))
78. Falando um pouco sobre o sentimento MSX para
você. O que representou o MSX para você ?
Digamos que pra mim
representa um marco
na história dos 8bits, uma maquina de arquitetura simples,
mas
muito poderosa.
79. E o que é o MSX hoje representa para
você ?
Representa uma
diversão sem
limites, saudável, e que gosto muito. E um motivo muito
maior:
Ir a Jaú 1 vez por ano encontrar com um monte de pessoas,
que a
maior parte se tornaram amigos muito especiais!
80. Luciano, gostaria de lhe agradecer pelo seu tempo, por
sua
dedicação ao MSX, por me conceder esta entrevista
e
desejo que você continue com seu trabalho, no portal, nas
listas
e com o MSX. Muito obrigado e parabéns !
Eu que
agradeço, Marcelo, pela
entrevista, me sinto muito agraciado com ela, e em poder compartilhar
um pouco de minhas vagas lembranças (já que eu
sou
péssimo para lembranças, principalmente relativas
a
datas) e com todos os leitores de seu site! Grande abraço!
Para quem não conhece o portal de MSX do Luciano Sturaro,
basta
visitar em http://www.msxpro.com. Lá se
encontrará
muitos, mas muitos projetos de hardware, softwares diversos, esquemas,
fotos dos encontros de MSX e muita, mas muita
informação.